A revolução que abalou o mundo' e suas lições para a resistência da classe trabalhadora

Autor:Rosenverck Estrela Santos
Cargo:Bacharel em História
Páginas:657-673
RESUMO

O presente texto tem por objetivo demonstrar a grande importância da Revolução Russa para a luta dos trabalhadores brasileiros no Brasil contemporâneo, demarcando suas principais características históricas, políticas e conquistas sociais. Além disso, aponta a fundamental referência que esta Revolução ainda tem na luta, na organização e nos projetos de um futuro sem exploração e opressão.

 
TRECHO GRÁTIS
Artigo recebido em: 03/03/2018 Aprovado em: 09/05/2018
“A REVOLUÇÃO QUE ABALOU O MUNDO”
E SUAS LIÇÕES PARA A RESISTÊNCIA DA
CLASSE TRABALHADORA
Rosenverck Estrela Santos1
Resumo
O presente texto tem por objetivo demonstrar a grande importância da Revo-
lução Russa para a luta dos trabalhadores brasileiros no Brasil contemporâneo,
demarcando suas principais características históricas, políticas e conquistas
sociais. Além disso, aponta a fundamental referência que esta Revolução ain-
da tem na luta, na organização e nos projetos de um futuro sem exploração e
opressão.
Palavras-chave: Revolução Russa, socialism, classe trabalhadora.
“THE REVOLUTION THAT SHOCKED THE WORLD”
AND ITS LESSONS TO THE STRENGTHENING OF THE
WORKING CLASS
Abstract
e present text aims to demonstrate the great importance of the Russian Revo-
lution to the struggle of Brazilian workers in contemporary Brazil, marking its
main historical characteristics, policies and social achievements. In addition, it
points to the fundamental reference that this Revolution still has in the struggle,
organization and projects of a future without exploitation and oppression.
1 Bacharel em História, D outorando em Políticas Públicas pela Universidade Federal do
Maranhão (UFMA), Professor da Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros na
UFMA. E-mail: rosenverck@hotmail.com / Endereço: Universidade Federal do Maranhão
- UFMA: Av. dos Portugueses, 1966, Bacanga - São Luís - MA. CEP: 65080-805
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Rosenverck Estrela Santos
Keywords: Russian Revolution, socialism, working class.
1 INTRODUÇÃO
A oração que nomeia este texto, sob inspiração do eminente
historiador inglês Eric Hobsbawm (1999), demonstra os objetivos
propostos por estas linhas. Ao contrário dos que preferem quali car
(depreciar) a Revolução Russa de 1917 como desastrosa, pretende-
-se demonstrar que apesar de todos os erros e desvios ocorridos no
período governado por Stálin, a Revolução de 1917 trouxe mudanças
signi cativas e conquistas sociais aos trabalhadores, não apenas na
Rússia, mas para o conjunto da humanidade.
Não é por acaso que Hobsbawm identi ca o século XX com a
história da Revolução, da consolidação e do declínio do socialismo
soviético. A sua importância não reside apenas dentro das fronteiras
russas, mas ultrapassando-as atingiu todo o globo, de uma maneira
ou de outra, intensa ou difusamente, positiva ou negativamente, re-
volucionando ou contrarrevolucionando os países do mundo.
Assim se expressa Hobsbawm (1999, p. 62):
[...] a Revolução de Outubro teve repercussões muito mais pro-
fundas e globais que sua ancestral, pois se as idéias da Revolução
Francesa [...] duraram mais que o bolchevismo, as conseqüências
práticas de 1917 foram muito maiores e mais duradouras que as
de 1789. A Revolução de Outubro produziu de longe o mais formi-
dável movimento revolucionário organizado da História Moderna.
[...] Apenas trinta ou quarenta anos, [...] um terço da humanidade
se achava vivendo sob regimes diretamente derivados dos ‘Dez dias
que abalaram o mundo’ [...].
Tendo em vista os objetivos supracitados precisa-se, com efei-
to, tecer algumas re exões sobre os acontecimentos processados na
Rússia, os quais em conjunto compuseram uma das mais signi cati-
vas Revoluções do mundo.
2 FOI UMA REVOLUÇÃO APENAS DA RÚSSIA?
Antes da Revolução de 1917, a Rússia, se comparada às potên-
cias do capitalismo mundial, estava num nível de desenvolvimento
econômico-social muito atrasado. Era governada por uma Monar-
quia Absolutista, com o poder em mãos de um déspota – o Czar1
Nicolau II, apoiado numa nobreza latifundiária e militarizada, bem
como no alto clero da igreja Católica Ortodoxa. Não havia liberdade

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