Eco-cidadania em luis alberto warat: um olhar para o futuro dos refugiados ambientais

Autor:Franciele Seger - João Martins Bertaso
Cargo:Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) - Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI)
Páginas:429-448
RESUMO

A presente pesquisa versa sobre a eco-cidadania como possibilidade de enfrentar a crise ecológica e suas consequências, dentre as quais destacase a massa de refugiados ambientais, pessoas forçadas ao deslocamento devido à ocorrência de desastres naturais. Nesse sentido, objetiva-se descrever, por meio do método dedutivo, da técnica de pesquisa bibliográfica e do procedimento histórico, os... (ver resumo completo)

 
TRECHO GRÁTIS
ECO-CIDADANIA EM LUIS ALBERTO WARAT:
UM OLHAR PARA O FUTURO DOS REFUGIADOS
AMBIENTAIS
ECO-CITIZENSHIP IN LUIS ALBERTO WARAT: A LOOK AT THE
FUTURE OF ENVIRONMENTAL REFUGEES
Franciele SegerI
João Martins BertasoII
I Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Santo
Ângelo, RS, Brasil. Mestranda em Direito. E-mail: franci.seger@hotmail.com
II Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Programa
de Pós-Graduação em Direito, Santo Ângelo, RS, Brasil. Doutor em Direito. E-mail:
joaomartinsbertaso@gmail.com
Resumo: A presente pesquisa versa sobre
a eco-cidadania como possibilidade
de enfrentar a crise ecológica e suas
consequências, dentre as quais destaca-
se a massa de refugiados ambientais,
pessoas forçadas ao deslocamento devido
à ocorrência de desastres naturais. Nesse
sentido, objetiva-se descrever, por meio
do método dedutivo, da técnica de
pesquisa bibliográca e do procedimento
histórico, os desaos e violações
sofridas pelos refugiados ambientais,
já que lhes é negado reconhecimento e
proteção jurídica internacional. A partir
disso, estudar a eco-cidadania em Luis
Alberto Warat, a qual envolve ecologia,
cidadania, política e subjetividade,
elementos que, interligados, são
capazes de alterar o atual estilo de vida,
restaurando a relação homem-natureza, a
m de assegurar um direito ao amanhã,
que dê condições de existência a um
futuro comum. A eco-cidadania visa o
reconhecimento do Outro (ser humano e
natureza) nas suas diferenças, valendo-
se do amor como cuidado. Por isso, ela
contribui tanto para a formação de um
sujeito ecológico, que se torne consciente
da necessidade de preservação do meio
onde vive, como para o reconhecimento
de pessoas excluídas como os refugiados
ambientais.
Abstract: The present research is about
eco-citizenship as a possibility to face the
ecological crisis and its consequences,
among which it is distinguished the mass
of environmental refugees, people forced
to the displacement due to the occurrence
of natural disasters. In this sense, the
objective is to describe, through the
deductive method, the technique of
bibliographic research and historical
procedure, the challenges and violations
suffered by environmental refugees,
since they are denied recognition and
international legal protection. From
this, to study eco-citizenship in Luis
Alberto Warat, which involves ecology,
citizenship, politics and subjectivity,
elements that, interconnected, are
capable of altering the current lifestyle,
restoring the relation man-nature, in
order to ensure the right to a future,
which gives life to a common future.
Eco-citizenship aims at the recognition
of the Other (human being and nature)
in their differences, using love as care.
That’s why, it contributes so much to the
formation of an ecological subject, that
it becomes aware of the need to preserve
the environment in which it lives, as well
as the recognition of excluded people
like as environmental refugees.
430 Revista Direitos Culturais | Santo Ângelo | v. 13 | n. 31 | p. 429-448 | set./dez. 2018.
DOI: http://dx.doi.org/10.20912/rdc.v13i31.2888
Palavras-chave: Eco-cidadania. Sujeito
ecológico. Refugiados ambientais.
Cuidado. Direito ao amanhã.
Keywords: Eco-citizenship. Ecological
subject. Environmental refugees.
Caution. Right to tomorrow.
Sumário: Introdução. 1 Refugiados ambientais: entre desaos e
violações de direitos. 2 Eco-cidadania em Luis Alberto Warat: um olhar
de esperança para um futuro ecológico. Conclusão. Referências.
Introdução
A história da humanidade sempre foi marcada por diversos
períodos de crise. Atualmente, a crise migratória e ecológica causam
grande preocupação pela sua magnitude e proporção. Aquecimento
global, mudanças climáticas, desastres naturais e a consequente massa
de refugiados ambientais são alguns fenômenos característicos da atual
crise. Diante desse cenário, a eco-cidadania surge como uma esperança,
pois ela articula política, ecologia, cidadania e subjetividade (desejo),
como um caminho para alcançar uma mudança do paradigma ecológico.
Isso signica tomar a “eco-cidadania como forma de garantir o direito
ao amanhã”1, de tal sorte que se pode resgatar a relação de afeto homem-
natureza.
Nesse sentido, a eco-cidadania é tomada como perspectiva de
rever as condições de possibilidades da sustentação de um patamar
de harmonia nas relações do homem com o meio onde vive, tendo
como parâmetro ético o amor como cuidado. Uma possibilidade de
ultrapassar os desejos heterônomos de um mercado global que oferece
um consumo excedido para então, de forma intransparente, assumir o
comando da subjetividade das pessoas e negá-las a autonomia.
A propósito, Luis Alberto Warat, pensador e autor de obras
destacadas, foi quem defendeu a eco-cidadania como esperança de
um futuro melhor. Warat defende a eco-cidadania como possibilidade
de construir ou reconstruir o desejo, de impor limites ao poder e de
restaurar o contato homem-natureza2.
Para tanto, o artigo se estrutura em duas seções. Na primeira
seção abordar-se-á os refugiados ambientais na qualidade de nova cate-
goria de migrantes no cenário mundial, desprovida de reconhecimento
e proteção jurídica, que sofrem constantes violações. Daí, na segunda
1 WARAT, Luis Alberto. Eco-cidadania e direito: alguns aspectos da modernidade,
sua decadência e transformação. Sequência, Santa Catarina, n. 28, p. 96-110, jun.
1994. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/sequencia/article/
viewFile/15877/14366>. Acesso em: 20 jul. 2018.
2 Ibidem.

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