Sumário executivo

Autor:Pedro Mizukami - Jhessica Reia - Joana Varon
Páginas:11-16
 
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Em junho de 2013, várias cidades em todo o Brasil testemunharam uma série
de protestos, iniciando uma onda de manifestações públicas que chegaram
às manchetes do mundo inteiro. Uma sobrecarga de informações — visuais e
textuais — circuladas pelas mídias sociais, além de narrativas con itantes sobre
o signi cado das manifestações, demandas políticas de longa data, a violência
policial e a evidente perplexidade de políticos e cidadãos na tentativa de com-
preender o sentido dos acontecimentos geraram um pano de fundo intrigante
para os debates que envolvem a política de mídia no Brasil. Dois meses depois,
quando este relatório estava sendo elaborado, os protestos continuavam, ain-
da que em menor escala.
Altamente heterogêneos por natureza, os protestos envolveram uma va-
riedade de exigências e a liações políticas, di cultando a construção de uma
narrativa coerente do que tem sido, até o momento, um fenômeno muito de-
sorientado e extremamente diversi cado. Os problemas relacionados ao trans-
porte público — foco inicial dos protestos — disputam espaço e atenção nas
ruas com questões como: o papel do Brasil como país an trião de megaeven-
tos esportivos (a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014
e os Jogos Olímpicos em 2016); a corrupção na política, saúde e educação;
o anseio por projetos de lei especí cos e direitos das minorias; entre outros
temas. Causas com tendências de esquerda se misturam a opiniões da direita;
além disso, manifestações contra as diversas esferas do governo têm sido fre-
quentes, bem como a contestação dos próprios conceitos de partido político e
de democracia representativa.
Ocorreram, também, protestos contra grupos da mídia tradicional, como
as Organizações Globo, a Rede Record e o SBT, devido tanto a uma percepção
de que houve parcialidade na cobertura dada aos protestos quanto à insatis-
fação geral em relação ao papel da mídia na vida social e política do Brasil. Em
resposta, as Organizações Globo chegaram a se desculpar por terem apoiado
o golpe militar de 1964 em um editorial de “O Globo” (31 de agosto de 2013)
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