Paradoxos vivenciados pelo uso das tecnologias móveis no processo individual de tomada de decisão

Autor:Fabio Junges - Amarolinda Zanela Klein - Claudio Reis Gonçalo - Tatiana Ghedine
Cargo:Doutor em Administração - Doutora em Administração - Doutor em Engenharia de Produção - Doutora em Administração
Páginas:147-165
RESUMO

O crescimento do uso das Tecnologias da Informação Móveis e Sem Fio (TIMS) nas organizações tem viabilizado cada vez mais o trabalho móvel, trazendo tanto benefícios quanto desafios aos processos de trabalho. O objetivo desta pesquisa foi compreender quais são os paradoxos vivenciados com o uso de TIMS na tomada de decisão individual em contexto de mobilidade. Foi realizada uma pesquisa... (ver resumo completo)

 
TRECHO GRÁTIS
Paradoxos Vivenciados pelo uso das Tecnologias Móveis no Processo Individual de Tomada de Decisão
R C A
Esta obra está sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso.
9
RESUMO
O crescimento do uso das Tecnologias da Informação Móveis
e Sem Fio (TIMS) nas organizações tem viabilizado cada vez
mais o trabalho móvel, trazendo tanto benefícios quanto
desaos aos processos de trabalho. O objetivo desta pesquisa
foi compreender quais são os paradoxos vivenciados com o
uso de TIMS na tomada de decisão individual em contexto
de mobilidade. Foi realizada uma pesquisa qualitativa por
meio de um grupo focal e entrevistas semiestruturadas, com
um total de 26 participantes (executivos e gestores de nível
intermediário) que tomam decisões nesse contexto. Os resul-
tados corroboram paradoxos já identicados na literatura, e
que se manifestam nos processos de tomada de decisão em
contexto de mobilidade: Ocupado e Disponível, Planejamento
e Improvisação, Engajamento e Desengajamento, Compe-
tência e Incompetência. Além disso, novos paradoxos foram
identificados: Pessoal e Profissional, Maior Colaboração e
Menos Face a Face, Decisões mais Ágeis e Decisões com Maior
Exposição ao Erro.
Palavras-chave: Paradoxos, Tecnologias da Informação Móveis
e Sem Fio (TIMS), Mobilidade Empresarial, Tomada de Decisão.
ABSTRACT
The growth in the use of Mobile and Wireless Information
Technology (MWIT) in organizations has increasingly enabled
mobile work, bringing both benets and challenges to work
processes. The objective of this research was to understand
the paradoxes experienced by using MWIT in decision making
in mobility context. A qualitative research was conducted by
applying a focus group and semi-structured interviews, with
26 participants (executives and mid-level managers) who
make decisions in this context. The results corroborate some
paradoxes already identied in the literature, which manifest
themselves in the processes of decision making in the mobi-
lity context: Busy and Available, Planning and Improvisation,
Engagement and Disengagement, and Competence and
Incompetence. In addition, new paradoxes were identied:
Personal and Professional, Increased Collaboration and Less
Face to Face, More Agile Decisions and Decisions with Greater
Exposure to Error.
Keywords: Paradoxes, Mobility, Wireless Information Techno-
logy (MWIT), Enterprise Mobility, Decision Making.
PARADOXOS VIVENCIADOS PELO USO DAS TECNOLOGIAS
MÓVEIS NO PROCESSO INDIVIDUAL DE TOMADA DE DECISÃO
Paradoxes Experienced with the use of Mobile Technologies
in the Individual Decision Making Process
Fabio Junges
Doutor em Administração. Universidade do Vale do
Rio dos Sinos (UNISINOS). São Leopoldo, RS. Brasil.
e-mail: fabio@fabiojunges.com.br
Amarolinda Zanela Klein
Doutora em Administração. Professora Adjunta da
Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Leopoldo, RS. Brasil.
e-mail: amaroklein@gmail.com
Claudio Reis Gonçalo
Doutor em Engenharia de Produção. Professor Titular
da Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí, SC. Brasil.
e-mail: claudioreisgoncalo@gmail.com
Tatiana Ghedine
Doutora em Administração. Professora da
Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí, SC. Brasil.
e-mail: tghedine@gmail.com
Marcador automático dos rodapés. Editar as informações aqui. Não apagar!
Revista de Ciências da Administração • v. 20, n. 50, p. 147- 165, Abril. 2018
DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2175-8077.2018 V20n50p147
Recebido em: 05/05/2017
Revisado em: 10/12/2017
Aceito em: 15/01/2018
Fabio Junges • Claudio Reis Gonçalo • Amarolinda Zanela Klein • Tatiana Ghedine
Revista de Ciências da Administração • v. 20, n. 50, p. 147-165, Abril. 2018
148
R C A
1 INTRODUÇÃO
Ao longo da história, poucas tecnologias se di-
fundiram de forma tão rápida como os smartphones
(BENTO, 2016; KIM; CHEN; WANG, 2016; WAN;
CHEN; ZHU, 2018), promovendo grandes trans-
formações no comportamento dos indivíduos e na
consolidação de um novo paradigma de relaciona-
mento entre eles e seus dispositivos computacionais
(COUSINS; ROBEY, 2015; DERKS; DUIN; TIMS;
BAKKER, 2015). As Tecnologias da Informação
Móveis e Sem Fio (TIMS), denidas como o conjunto
de hardware, soware e meios de comunicação sem
o, tais como celulares, smartphones, e tablets, são as
primeiras a estimularem um vínculo de intimidade
com os indivíduos, pois são utilizadas no âmbito
pessoal e prossional, permitindo que as pessoas
trabalhem mesmo quando estão distantes dos seus
locais xos de atuação (SACCOL; REINHARD, 2007;
MAZMANIAN; ORLIKOWSKI; YATES, 2013), o
que é denido na literatura como trabalho móvel
(SØRENSEN, 2011).
O trabalho móvel é suportado pelo uso das
TIMS, o que permite aos trabalhadores estarem vir-
tualmente presentes simultaneamente em diferentes
contextos de trabalho e ainda permanecerem co-
nectados, movendo-se e interagindo com diferentes
atores e realizando diferentes papéis (WAN; CHEN;
ZHU, 2018). Essa “onipresença” é possível à medida
que a mobilização das interações explora as diferentes
aordances das tecnologias móveis (ARNOLD, 2003;
COUSINS; ROBEY, 2015; SØRENSEN, 2011). Isso
provoca mudanças nos processos de trabalho, o que
caracteriza a mobilidade empresarial (SØRENSEN,
2011), afetando também os processos de tomada
de decisão (YOO; LYYTINEN, 2005; TILSON;
LYYTINEN; SØRENSEN, 2011;YOO; LYYTINEN;
BOLAND JR., 2016).
A partir do momento que os indivíduos pas-
saram a utilizar as TIMS para fins profissionais,
percebeu-se um aumento da complexidade e do
dinamismo no contexto organizacional, geralmente
associado de forma não determinística com a ado-
ção destas novas tecnologias, o que vem exigindo
novas estruturas e práticas de trabalho para atender
à demanda crescente por avaliação, interpretação,
priorização e ação em relação aos recursos de infor-
mação (BUCHANA; NAICKER, 2014; SØRENSEN;
LANDAU, 2015).
As decorrências positivas e negativas eviden-
ciadas pelo uso das TIMS são conceitualmente inse-
paráveis e se ampliam à medida que novos recursos
são criados e implementados, ou combinações de
recursos são exploradas, tornando a experiência do
indivíduo com o uso das TIMS muitas vezes para-
doxal (ARNOLD, 2003; MAZMANIAN; SMITH;
LEWIS, 2011; ORLIKOWSKI; YATES, 2013). Os
paradoxos se caracterizam pela presença de elemen-
tos ou comportamentos contraditórios e, ao mesmo
tempo, inter-relacionados; quando isolados, estes ele-
mentos ou comportamentos são lógicos, mas quando
concomitantes, denotam irracionalidade RO BEY;
BOUDREAU, 1999; LEWIS, 2000; ARNOLD, 2003;
SMITH; LEWIS, 2011; FALKHEIMER; HEIDE;
SIMONSSON; ZERFASS; VERHOEVEN, 2016.
Como exemplos de paradoxos de uso das TIMS
no trabalho, tem-se o planejamento (acesso facili-
tado à informação por meio da TIMS para planejar
os processos) e a improvisação (acesso imediato à
informação que permite rapidamente realinhar ou
reprogramar atividades). Outro exemplo de paradoxo
é o de competência (as TIMS melhoram a produtivi-
dade no trabalho) e de incompetência - elas exigem
constante atenção, engajamento e multitarefas, geran-
do a sensação de incompetência do indivíduo diante
dessas novas demandas (MICK; FOURNIER, 1998;
JARVENPAA; LANG, 2005; JARVENPAA; LANG;
TUUNAINEN, 2005).
Diferentes estudos se propõem a compreender
as consequências do uso das TIMS para o trabalho,
para os indivíduos e para os processos organizacio-
nais sem relação: aos padrões de uso, consequências
coletivas do uso e respostas às consequências coletivas
(MAZMANIAN; ORLIKOWSKI; YATES, 2013); ao
crescimento em escala, convergência digital e mobili-
dade (LYYTINEN; YOO, 2002; SØRENSEN, 2011); à
visão do trabalho em qualquer hora e qualquer lugar
(LAL; DWIVEDI, 2010; DERKS; BAKKER, 2014;);
e aos diferentes paradoxos de uso das TIMS (MICK;
FOURNIER, 1998; ARNOLD, 2003; JARVENPAA;
LANG, 2005).
Entre os fenômenos organizacionais que podem
ser paradoxalmente impactados pelo uso das TIMS
estão os processos de tomada de decisão, que são

Para continuar a ler

PEÇA SUA AVALIAÇÃO