'Nossos japoneses' são melhores do que os outros?

Autor:André Souza Martinello
Cargo:Mestre pelo multidisciplinar em Desenvolvimento Rural /PGDR da UFRGS, Grupo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura. Mestrando em História na UFSC, vinculado ao Labimha/Laboratório de Imigração, Migração e História Ambiental. Historiador também pela UFSC. Licenciado em Geografia pela UDESC/FAED
Páginas:263-267
RESUMO

Em “Uma diáspora descontente” o historiador estadunidense Jeffrey Lesser, mais uma vez brinda ao público brasileiro com obra inovadora e criativa. Em uma perspectiva interdisciplinar, para além do campo da história, Lesser lança abordagem e dialoga com noções de identidade/alteridade, etnicidade, (i)migração/ memória e estereótipos. Atento as relações interétnicas – muitas vezes resultado de... (ver resumo completo)

 
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“NOSSOS JAPONESES” SÃO MELHORES DO QUE OS OUTROS?
André Souza Martinello1
LESSER, Jeffrey. UMA DIÁSPORA DESCONTENTE: Os nipo-brasileiros e
os significados da militância étnica 1960-1980.
Trad. Patrícia de Queiroz C. Zimbres. São Paulo: Paz e Terra, 2008. 293 páginas.
Em “Uma diáspora descontente” o historiador estadunidense Jeffrey Les-
ser, mais uma vez brinda ao público brasileiro com obra inovadora e criativa. Em
uma perspectiva interdisciplinar, para além do campo da história, Lesser lança
abordagem e dialoga com noções de identidade/alteridade, etnicidade, (i)migração/
memória e estereótipos. Atento as relações interétnicas – muitas vezes resultado
de processos de (i)migração – e do contanto entre fronteiras culturais, de nego-
ciação de identidades e relações de pertencimento vividas e construídas, Lesser
demonstra profundo conhecimento a respeito da contemporaneidade brasileira.
O autor faz parte da nova geração de brasilianistas que contribui decididamente
com a historiografia do Brasil e mais do que isso, utiliza-se de olhares e interpre-
tações de estranhamento, chamando atenção para situações delicadas e poucas
vezes abordadas com tanta seriedade por autores e pesquisadores nacionais, en-
riquecendo, portanto, à escrita da história brasileira pós-ditadura militar. Tanto os
estudiosos de Antropologia e Ciência Política, quanto os interessados na presen-
ça nikkei2 no Brasil, recebem, no livro traduzido no ano de 2008 e publicado pela
editora Paz e Terra, uma analise do que o autor denominou de “militância étnica”.
“Desterrados em suas próprias terras”, descendentes de migrantes japoneses,
portanto, brasileiros, ou mais comumente chamados: nipo-brasileiros, sofrem pre-
conceitos “positivos” e negativos devido à naturalização e disseminação de ele-
vada carga pejorativa que recebem, o que caracteriza para Lesser, um claro
exemplo de essencialização de um grupo que não teve efetiva integração no Bra-
sil. Mesmo que compartilhando elementos do que possa ser pensando como bra-
silidade, o argumento central de Lesser é a integração parcial do grupo étnico
no País em que nasceram, a começar pelo nome de batismo que recebera, filhos
de imigrantes japoneses.3 O momento em que está focado a pesquisa e o livro é
pós-governo Juscelino Kubitschek, com o golpe militar e a entrada de jovens na
1 Mestre pelo multidisciplinar em Desenvolvimento Rural /PGDR da UFRGS, Grupo de Estudos e
Pesquisas em Alimentação e Cultura. Mestrando em História na UFSC, vinculado ao Labimha/Labora-
tório de Imigração, Migração e História Ambiental. Historiador também pela UFSC. Licenciado em
Geografia pela UDESC/FAED. Email: andresoumar@gmail.com

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