Introdução

Autor:Luiz Guilherme Marques
Páginas:17-76
 
TRECHO GRÁTIS
IntRODUçãO
oS PROBLEMAS da Justiça sempre ocuparam o cérebro dos
luminares da ciência jurídica desde a mais remota antigui-
dade, que, insatisfeitos com o nível já alcançado, sonham com
uma Justiça mais próxima da perfeição: seu idealismo é sagrado.
Diante desses cérebros lúcidos e percucientes, seria ingê-
nuo de nossa parte trazer sugestões inovadoras nas áreas obje-
tos de suas elucubrações.
Entretanto, podemos sugerir, em um aspec-
to pouco explorado na Justiça, que é o da Psicologia1
1 Na Internet [http://pt.wikipedia.org/wiki] há uma conceituação da Psicologia:
A psicologia é uma ciência que se propõe à tarefa de estabelecer as leis básicas do
comportamento, estudar as vias de sua evolução, descobrir os mecanismos que lhe
servem de base e descrever as mudanças que ocorrem nessa atividade nos estados
patológicos. Especializações: Psicologia comparada, Psicologia do desenvolvi-
mento, Psicologia fisiológica, Psicologia social, Psicologia clínica, Psicologia
organizacional, Psicologia educacional, Psicologia da saúde]]. Existem inúmeras
linhas teóricas na psicologia, o que nos obriga a não falar em uma psicologia, mas
em ciências psicológicas. Entre as linhas mais conhecidas, estão o behaviorismo
radical, a psicologia cognitiva, as linhas psicanalíticas, o construtivismo, o
sociointeracionismo, a gestalt-terapia, a psicologia da consciência, a pers-
pectiva centrada no cliente e a psicologia da autoatualização.
Na Internet [http://www.filosofiaclinica.com.br/Resenhas/resenhas%20-%20
clinical%20philosophy%20-%20filosofia%20clínica.htm] encontra-se o texto
abaixo, excelente para principiantes, e que mostra, resumidamente, a his-
tória da Psicologia:
A DEFINIÇÃO DA PSICOLOGIA
FRED SIMMONS KELLER, 1899-……
EDIÇÃO NORTE-AMERICANA – 1937
18 Luiz Guilherme Marques
TRADUÇÃO BRASILEIRA – 1965
EDITORA PEDAGÓGICA E UNIVERSITÁRIA LTDA.
4ª REIMPRESSÃO – 1974
por JOÃO BATISTA DE CASTRO
(filósofo clínico, psiquiatra e psicoterapeuta de Goiânia)
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§ Definir a psicologia – O autor deste livro optou por definir a psicologia “em
termos dos teorizadores individuais que tiveram ideias mais vivas sobre o assunto.
Tal procedimento é discutível, já que focaliza a atenção sobre os homens, em vez
de sobre os desenvolvimentos mais amplos nos quais desempenharam meramente
uma parte conspícua; mas espera-se que o que se perde em generalidade possa ser
recuperado na moeda da especificidade”. Pág. 59.
PREFÁCIO
Nova York, 1937.
I – A HISTÓRIA DO PROBLEMA
§ Há dificuldades em definir a psicologia e avaliar o tremendo avanço dos últimos anos.
1) O homem primitivo tinha opiniões “psicológicas”: a crença das “almas-som-
bras”.
2) ARISTÓTELES, 382-322, o verdadeiro pai de toda a psicologia: a mente é como
uma tabuinha inicialmente em branco – tabula rasa.
3) CLAUDIUS GALENO, 130-199, médico grego. Classificação dos temperamentos
e localização da razão no cérebro.
4) TOMÁS DE AQUINO, 1224-1275.
5) RENÉ DESCARTES, 1596-1650, filósofo francês, matemático, o pai da psicolo-
gia moderna. A “mente” é o que “pensa”, cuja principal sede está na cabeça e não
pode ocupar nenhum espaço físico. Os animais não têm mente. Mente = alma: é
unitária. O “corpo” é uma “substância extensa”; tem duas metades simétricas. A
alma influencia o corpo através do corpo pineal.
O movimento do corpo pineal modifica o fluxo dos espíritos e interrompe a se-
quência de atividade de corda-de-sino (nervos sensoriais) e tubo (nervos motores).
Os espíritos descem pelos tubos até os músculos e provocam as ações. Explicação
sino-corda-tubo: DESCARTES imaginou existir um sistema nervoso que explicasse
as conexões entre músculos e órgãos dos sentidos, entre respostas e estímulos.
Duas principais contribuições:
1ª o dualismo interacionista (um tipo de relação “mente-corpo”).
2ª a ideia é “inata” (pertence à inteligência sem o influxo do mundo exterior).
A Psicologia do Juiz - o Judiciário do Século XXI 19
NOTAS:
1ª O problema das respostas “inatas” versus “adquiridas” já era velho!
2ª Outra contribuição: classificação das emoções primárias: admiração,
amor, ódio, desejo, alegria e tristeza, das quais as outras derivavam.
3ª Sensoriais: nervos que conduzem impulsos dos órgãos dos sentidos
para o cérebro ou para a medula.
4ª Motores: nervos que conduzem impulsos do cérebro ou da medula para
os órgãos motores: músculos e glândulas.
6) JOHN LOCKE, 1632-1704, filósofo inglês. A natureza e a aquisição do co-
nhecimento. Livro: ENSAIO SOBRE A NATUREZA HUMANA. Todas as ideias
provêm da experiência: a mente, no seu estado virginal, é como uma folha
de papel em branco.
Origem das ideias:
1º dos sentidos (diretamente);
2º da reflexão da mente sobre o conhecimento vindo dos sentidos (indire-
tamente): ideias de ideias!
Classificação das ideias:
1º simples – a) ideias simples primárias – assemelham-se aos objetos do
mundo exterior que as causam (solidez, figura movimento) e b) ideias
simples secundárias – não se assemelham aos objetos do mundo exterior
que as causam (cores, sons, sabores). Por isso LOCKE reconheceu que
algumas percepções do mundo não podem ser “reflexos especulares” do
próprio mundo, pelo menos a correspondência da representação não é
unívoca.
2º complexas (composição das simples) – Criou o movimento filosófico
Empirismo Inglês, base da moderna psicologia experimental. Eliminou da
experiência tudo, menos as impressões dos sentidos e suas combinações;
aceitou a existência de objetos que fossem semelhantes às nossas ideias.
ideia é qualquer pensar da mente. LOCKE acredita que, direta ou indire-
tamente, podemos conhecer o mundo exterior. Essas noções de análise,
combinação e composição de ideias acenaram para a possibilidade de ana-
lisar a mente humana em elementos, bem como a da natureza provável
destes elementos, mais tarde. Foi “o primeiro associacionista”. Escreveu
um capítulo do seu livro com o título de “associação de ideias”.

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