Interdisciplinaridade e complexidade: uma construc¸a~o em cie^ncias humanas

Autor:Carlos Alberto Severo Garcia Jr. - Marta Inês Machado Verdi
Cargo:Doutorando do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina - Doutora em Enfermagem, área Filosofia da Saúde, pela Universidade Federal de Santa Catarina
Páginas:1-17
RESUMO

O presente ensaio é um produto de reflexão em torno de conceitos relacionados a construção e produção de conhecimentos interdisciplinar em ciências humanas. Parte-se de ponderações sobre os conceitos de disciplinaridade, multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e desdobra-se na discussão do pensamento complexo proposto por Edgar Morin. Compreende-se que a partir da... (ver resumo completo)

 
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http://dx.doi.org/10.5007/1807-1384.2015v12n2p1
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Adaptada.
INTERDISCIPLINARIDADE E COMPLEXIDADE: UMA CONSTRUÇÃO EM
CIÊNCIAS HUMANAS
Carlos Alberto Severo Garcia Júnior
1
Marta Inês Machado Verdi
2
Resumo:
O presente ensaio é um produto de reflexão em torno de conceitos relacionados a
construção e produção de conhecimentos interdisciplinar em ciências humanas.
Parte-se de ponderações sobre os conceitos de disciplinaridade,
multidisciplinaridade, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade e desdobra -se na
discussão do pensamento complexo proposto por Edgar Morin. Compreende-se que
a partir da aventura interdisciplinar é possível considerar as relações e
transformações da condição humana frente a novos alicerces de saberes na
modernidade e suas consequências sociais, econômicas e subjetivas.
Palavras-chave: Interdisciplinaridade. Epistemologia. Ciências Humanas.
Pensamento Complexo.
1 INTRODUÇÃO
O ser humano vive em meio a contradições e critérios distintos de viver em
sociedade. E, o viver pode ser visto como força circunstancial da natureza e o
complemento de fatores e elementos incalculáveis. Ora, vivemos uma tentativa
ininterrupta de dominar sistemas, instrumentos, técnicas e naturezas, ao mesmo
tempo em que estamos dominados pelos próprios resultados construídos (KUHN,
1992; GIDDENS, 1991; BOURDIEU, 2004).
Durante séculos, as ciências e as pesquisas tornaram-se modos de operar
sobre a realidade. Se a ciência propõe tornar ciente algo ou alguma coisa, ou seja,
permitir a consciência e a compreensão de aspectos do mundo (interior e exterior),
fazer ciência é buscar explicações para inúmeros ramos particulares e específicos
do conhecimento, caracterizados por sua natureza empírica, lógica e sistemática,
1
Doutorando do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade
Federal de Santa Catarina. Professor na Graduação do Curso de Medicina Universidade do Vale do
Itajaí, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: carlosgarciajunior@hotmail.com
2
Doutora em Enfermagem, área Filosofia da Saúde, pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Professora do Departamento de Saúde Pública, professora orientadora do Programa de Pós-
Graduação em Saúde Pública e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências
Humanas, líder do Núcleo de Pesquisa em Bioética e Saúde Coletiva da Universidade Federal de
Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: marverdi@hotmail.com
2
R. Inter. Interdisc. INTERthesis, Florianópolis, v.12, n.2, p.01-17 Jul-Dez. 2015
baseada em provas, princípios, argumentações ou demonstrações que garantam ou
legitimem a validade de sua explicação. E, se a pesquisa pode ser um meio para
alcançar ou procurar maneiras de experienciar, investigar ou indagar problemas e
questões do mundo onde vivemos, fazer pesquisa é desenvolver uma atividade na
construção de conhecimento, imprescindível à condição humana (RIAL, TOMIELLO,
RAFAELLI, 2010; PHILIPPI JR., SILVA NETO, 2011; RAYNAUT, 2014).
No entanto, as fórmulas e regulamentos sofrem alterações com o passar do
tempo. A inevitável mutabilidade dos contratos e acordos recebe interferência do
espaço e do tempo. O caráter da inevitabilidade resume-se às mudanças e
transformações que o homem fez e continua a fazer na natureza, na sociedade, na
política e em suas relações mútuas. Portanto, tem-se um postulado de disciplinas. A
disciplina, além das múltiplas conceituações e de maneira geral, objetiva assegurar
algo. Assegurar é tornar seguro, permitir a garantia, adquirir certeza. A certeza como
qualidade, um caráter do que é certo ou considerado certo, é perfeito e um
indiscutível conhecimento. A certeza como a convicção que não sustenta dúvida e
sim uma verdade (VASCONCELOS, 2002).
Quais os riscos em desafiar a disciplina? Como colocar espaços “entre”
disciplinas? Como estabelecer relações entre duas ou mais disciplinas ou ramos de
conhecimentos? Quais os desafios e as extensões de estudos interdisciplinares? Se
há uma confluência de ações, métodos, conhecimentos e teorias ao mesmo tempo
em que coabitam diferenças, singularidades e particularidades, como olhar para um
conjunto de possibilidades em que há aproximações e distanciamentos?
A partir de reflexões em torno das características e alcances do conhecimento
humano, apresentam-se algumas ponderações, especialmente a partir do
pensamento do sociólogo, epistemólogo e filósofo francês Edgar Morin, que contribui
na construção de saberes e estudos sobre as relações que se estabelecem entre o
sujeito que indaga seus caminhos e o objeto dito inerte, mas também instrumento de
interferência do processo cognitivo. Trata-se de uma tentativa em interrelacionar
algumas proposições e relações entre as disciplinas estabelecidas na sociedade e a
ciência a partir da discussão da produção de conhecimento interdisciplinar em
ciências humanas.

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