Homenagem ao Professor Oris de Oliveira

Autor:Paulo Eduardo Vieira de Oliveira
Páginas:193-194
 
TRECHO GRÁTIS
28.
homenAgem Ao profeSSor oriS de oliveirA
Paulo Eduardo Vieira de Oliveira
(1)
(1) O maior título que o autor pode possuir é o de ser filho do homenageado.
Fui incumbido pelo Professor Jorge da difícil tarefa de
escrever um texto sobre meu pai, o professor Oris de Oli-
veira, de quem eu muito me orgulho, e assim passo a fazer.
Inicio este texto com um pequeno resumo de sua in-
fância.
Oris de Oliveira nasceu no dia 9 de julho de 1925 em
Franca, uma cidade do interior de São Paulo.
Quando criança ele vivia com sua família em uma casa
simples, com três quartos pequenos, uma sala de jantar,
um banheiro e uma cozinha. No quintal havia um barracão
de taipa. Ele tinha duas irmãs e dois irmãos que brincavam
muito com ele.
Na adolescência começou a migrar ficando um período
em Franca e depois indo estudar em Uberaba. Posterior-
mente, ele saiu de Uberaba e veio para São Paulo estudar.
Para se locomover até São Paulo o Professor Oris se uti-
lizou do trem como meio de transporte e viajou pela com-
panhia Mogiana de Estradas de Ferro. Ele veio para São
Paulo com alguns amigos, estudar em um colégio interno.
A partir daí continuou estudando sempre, chegando a
fazer diversos cursos superiores, como Direito, Psicologia,
Teologia e Pedagogia.
Sempre vi no meu pai a figura de um professor nato,
aquele que tem a missão de ensinar como seu maior prazer.
Passo agora a narrar algumas situações que podem dar
a dimensão desse prazer de ensinar do meu pai.
Durante muito tempo a Faculdade de Direito da USP
contou com um número reduzido de professores, de forma
que o Professor Oris, mesmo na função de assistente, dava
um grande número de aulas de diversas matérias ligadas
ao Departamento de Direito do Trabalho. Em tais aulas,
ele sempre chegava com o jornal do dia, dizendo que tinha
trazido “o pão quentinho”, comentando uma notícia atual
com os alunos, procurando dar um contexto de atualidade
à aula, fazendo com que o tema se tornasse o mais interes-
sante possível.
Além disso, inúmeras vezes, inclusive em finais de se-
mana, muitos dos quais a família já no carro saindo para
um almoço fora, chegavam em casa alunos querendo tirar
dúvidas ou entender melhor alguma questão de provas da
OAB ou concursos públicos e inexoravelmente meu pai
tirava a família do carro, colocava os alunos para dentro de
casa e ia resolver os problemas propostos. Só quando não
houvesse mais dúvidas é que saíamos para o almoço (isso
quando dava tempo...).
Assim, desde pequeno sempre convivi com uma pes-
soa que amava o Direito do Trabalho e, fundamentalmente,
amava ser Professor.
Em pleno regime militar, meu pai foi aprovado no con-
curso para magistratura no Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região, tomando posse em 14 de dezembro de 1977.
Nesse particular há uma passagem interessante. Meu
pai era Procurador do Estado de São Paulo e foi aprovado
no concurso da Magistratura do Trabalho do TRT da 1ª
Região – RJ. Os aprovados foram sendo chamados segundo
a ordem de aprovação no concurso, mas quando chegou a
vez do meu pai ele foi preterido, sendo chamado o próxi-
mo da lista. Indignado com a situação ele foi até Brasília
verificar o porquê do ocorrido e lá foi informado que seu
nome continha “restrições”.
Em virtude de tais fatos, o professor Oris procurou um
advogado e impetrou um Mandado de Segurança, tendo
logrado êxito e tomado posse em dezembro de 1977, com
efeitos retroativos a julho de 1977. Ou seja, entre julho e
dezembro de 1977 meu pai foi, ao mesmo tempo, Procu-
rador do Estado e Juiz do Trabalho do TRT da 1ª Região.
No exercício da magistratura atuou em diversas loca-
lidades dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo,
pois nessa época o TRT da 1ª Região abrangia esses dois
Estados.
Após brilhante passagem por diversos municípios por
onde deixou saudades, como Campos de Guaytacazes,
meu pai foi promovido a Titular e, decorrido certo tempo,
assumiu a titularidade da Vara do Trabalho de Volta Re-
donda, a mais próxima de São Paulo, onde, eu, minha irmã
Ana Cláudia e minha mãe, Jacyra, permanecemos durante
todo o tempo.
Meu pai voltava para São Paulo às quintas feiras e já ia
para a Faculdade de Direito da USP onde dava aulas como
professor assistente em diversos horários às quintas e sextas,
sem contar as “visitas” aos finais de semana acima narradas.
E assim foi até a aposentadoria na magistratura em
1983, precoce na minha opinião, muito antes da compul-
sória, mas para cessarem as viagens para Volta Redonda
que eram realmente cansativas.

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