Determinantes do nível de divulgação das informações por segmento (CPC 22) das empresas brasileiras de capital aberto listadas no IBrX-50

Autor:Priscila Pontes Nunes - Odilanei Morais dos Santos - José Augusto Veiga da Costa Marques
Cargo:Mestre em Ciências Contábeis na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Doutor em Controladoria e Contabilidade na Universidade de São Paulo (USP) - Pós-Doutor em Controladoria e Contabilidade na Universidade de São Paulo (USP)
Páginas:3-25
RESUMO

Este estudo verificou quais características corporativas são relacionadas com o índice de divulgação (ID) das empresas referente as informações por segmentos requeridas pelo CPC 22. Realizou-se um estudo com dados de 2010 a 2016 de empresas listadas no índice IBrX-50. Aplicou-se um checklist contendo os requerimentos do CPC 22 e utilizou-se uma regressão MQO para identificar as determinantes... (ver resumo completo)

 
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Artigo
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Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v. 17, n. 42, p. 03-25, jan./mar., 2020.
Universidade Federal de Santa Catarina. ISSN 2175-8069. DOI : https://doi.org/10.5007/2175-8069.2020v17n42p3
Determinantes do nível de divulgação das informações por
segmento (CPC 22) das empresas brasileiras de capital
aberto listadas no IBrX-50
Determinants of the level of disclosure of information by segment (CPC 22) of public traded Brazilian
companies listed in the IBrx-50
Determinantes del nivel de divulgación de información por segmento (CPC 22) de las empresas
brasileñas que cotizan en bolsa listadas en el IBrx-50
Priscila Pontes Nunes*
Mestre em Ciências Contábeis na Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ)
Professora do Centro Universitário Metropolitano da
Amazônia, Belém/PA, Brasil
priscilapontesnunes@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-0499-4105
Odilanei Morais dos Santos
Doutor em Controladoria e Contabilidade na
Universidade de São Paulo (USP)
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências
Contábeis (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ, Brasil
profodilanei@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-4897-8353
José Augusto Veiga da Costa Marques
Pós-Doutor em Controladoria e Contabilidade na
Universidade de São Paulo (USP)
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências
Contábeis (UFRJ), Rio de Janeiro/RJ, Brasil
joselaura@uol.com.br
https://orcid.org/0000-0002-8673-961X
Endereço do contato principal para correspondência*
Av. Visconde de Souza Franco, 72 – Reduto, CEP: 66053-000 – Belém, PA, Brasil
Resumo
Este estudo verificou quais características corporativas são relacionadas com o índice de divulgação (ID) das
empresas referente as informações por segmentos requeridas pelo CPC 22. Realizou-se um estudo com
dados de 2010 a 2016 de empresas listadas no índice IBrX-50. Aplicou-se um checklist contendo os
requerimentos do CPC 22 e utilizou-se uma regressão MQO para identificar as determinantes sobre o índice
de divulgação. Foi evidenciado um ID médio total de 57,72%, com média máxima de 86,55% e mínima de
28,59%. As variáveis endividamento, quantidade de segmentos reportados, divulgação primária das
informações por região geográfica e clientes significativos foram estatisticamente significantes e com sinais
esperados, enquanto as demais variáveis não foram significativas ou tiveram sinais invertidos. Os resultados
contribuem para o entendimento do nível de divulgação das empresas brasileiras em relação as informações
por segmentos e suscita questionamentos sobre a relevância dos itens de evidenciação requeridos pelo CPC
22.
Palavras-chave: CPC 22; Informações por Segmento; Índice de Divulgação
Abstract
This study verified which corporate characteristics are related to the companies' disclosure index (ID) for
segment information required by CPC 22. The study was realized with data from 2010 to 2016 of companies
listed in the IBrX-50 index. A checklist containing the requirements of CPC 22 was applied and a MQO
regression was used to identify the determinants on the disclosure index. It was evidenced a total average ID
of 57,72%, with a maximum average of 86,55% and a minimum of 28,59%. The variables indebtedness,
number of segments reported, primary disclosure of information by geographic region and significant clients
were statistically significant and with expected signs, while the other variables were not significant or had signs
reversed. The results contribute to the understanding of the level of disclosure of Brazilian companies in
Determinantes do nível de divulgação das informações por segmen to (CPC 22) das empresas brasileiras de capital aberto listadas no IBrX-50
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Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v. 17, n. 42, p. 03-25, jan./mar., 2020.
Universidade Federal de Santa Catarina. ISSN 2175-8069. DOI : https://doi.org/10.5007/2175-8069.2020v17n42p3
relation to segment information and raises questions about the relevance of the disclosure items required by
CPC 22.
Keywords: CPC 22; Information by Segment; Disclosure Index
Resumen
Este estudio verificó qué características corporativas están relacionadas con el índice de divulgación de las
empresas referente a las informaciones por segmentos requeridas por el CPC 22. Se realizó un estudio con
datos de 2010 a 2016 de empresas listadas en el índice IBrX-50. Se aplicó un checklist conteniendo los
requerimientos del CPC 22 y se utilizó una regresión MQO para identificar los determinantes sobre el índice
de divulgación. Se evidenció un ID promedio total del 57,72%, con una media máxima de 86,55% y mínima
del 28,59%. Las variables de endeudamiento, cantidad de segmentos reportados, divulgación primaria de las
informaciones por región geográfica y clientes significativos fueron estadísticamente significantes y con
señales esperadas, mientras que las demás variables no fueron significativas o tuvieron signos invertidos.
Los resultados contribuyen al entendimiento del nivel de divulgación de las empresas brasileñas en relación
a las informaciones por segmentos y suscita cuestionamiento sobre la relevancia de los ítems de evidencia
requeridos por el CPC 22.
Palabras clave: CPC 22; Información por Segmento; Índice de Divulgación
1 Introdução
Para os investidores, há diversos meios de se obter as informações necessárias sobre a situação
econômica e financeira das empresas, sendo que uma das principais fontes é por meio da contabilidade
(SCHVIRCK, 2014). De acordo com Iudícibus, Martins e Carvalho (2005), a contabilidade surgiu da
necessidade de monitorar o crescimento do capital e evolução patrimonial das empresas. Com o passar dos
anos e com o desenvolvimento econômico das entidades, a contabilidade se aperfeiçoou e virou um complexo
sistema de informação e avaliação, que busca diminuir a escassez informacional de seus usuários referente
as empresas de seus interesses (IUDÍCIBUS; MARTINS; CARVALHO, 2005).
A teoria da agência aborda a relação entre os acionistas e gestores, que é definida como relação de
agência, que surge a partir de um contrato em que uma ou mais pessoas, denominado de ‘principal’, delegam
alguns serviços para uma outra pessoa, chamada de ‘agente’, cujo ‘agente’ fica responsável para tomar
decisões em nome do ‘principal’ (JENSEN; MECKLING, 1976). Nessa relação, o ‘principal’ é o acionista e o
‘agente’ é o gestor.
Eisenhardt (1989) explica que nem sempre o gestor tomará decisões para suprir os interesses dos
investidores, pois há possibilidades de o administrador gerir para alcançar metas pessoais, podendo
prejudicar os resultados reais da empresa. Isto é possibilitado pelo maior acesso as informações das
empresas que os gestores possuem em comparação aos usuários externos, então estas situações podem
gerar conflitos de interesses entre os gestores e acionistas, o que é conhecido como conflito de agência.
A teoria explana que esse maior acesso as informações por parte dos gestores, gera a assimetria
informacional. Dessa forma, para reduzir esta assimetria, a contabilidade aparece como uma fundamental
ferramenta (IUDÍCIBUS; MARTINS; CARVALHO, 2005). A assimetria informacional é amenizada não só com
as informações contábeis exigidas de forma obrigatória pelos órgãos reguladores, mas também pelas
informações econômicas e financeiras reportadas de forma voluntária.
Healy e Palepu (2001) e Lambert, Leuz e Verrecchia (2007) abordam a divulgação voluntária como
uma determinante para a diminuição da assimetria informacional no mercado de capitais. Dessa forma, os
usuários externos começaram a exigir cada vez mais informações, obrigatórias ou voluntárias, para amenizar
a assimetria informacional por meio de uma maior transparência da situação da empresa (LÉLIS et al., 2008).
Um exemplo foi o incentivo dado pelo American Institute of Certified Public Accountants (AICPA) e pela
Securities and Exchange Commission (SEC) no início dos anos 1970 para que as empresas norte-americanas
apresentassem, voluntariamente, seus relatórios de forma segmentada (MOURAD, 2009).
Desde então, houve uma evolução normativa referente à divulgação das informações por segmento
de modo que hoje trata-se de divulgação obrigatória, seja por força do Statement of Financial Accounting
Standards (SFAS) nº 131 – Disclosures About Segments of a n Enterprise and Related Information (SFAS
131) emitido pelo Financial Accounting Standards Board (FASB) no ambiente norte-americano, ou o
International Financial Reporting Standards (IFRS) nº 8 – Operating Segments (IFRS 8) emitido pelo
International Accounting Standards Board (IASB) referente às normas internacionais, que no Brasil está
contemplado no Pronunciamento Técnico CPC nº 22 – Informações por Segmento (CPC 22), do Comitê de
Pronunciamento Contábil (CPC).
O CPC 22 foi divulgado no Brasil em 31/07/2009 e possui como objetivo a exigência da divulgação
das informações por segmentos da entidade. Estas informações são exigidas para permitir a avaliação, pelos
usuários das demonstrações contábeis, da natureza e dos efeitos financeiros de cada atividade que as
entidades estão envolvidas e os ambientes econômicos onde operacionalizam.
Há diversas informações exigidas pelo CPC 22 para divulgação. Conforme as classificações de Souza
(2013) estas informações podem ser divididas em categorias gerais, tais como: a) informações gerais sobre

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