CEAS 50 anos: em tempos sombrios, tecemos esperança

Autor:Joaci de S. Cunha ? Catarina Lopez
Cargo:Coeditor (CEAS ? UCSal) ? Sec. Executiva (CEAS)
Páginas:4-13
 
TRECHO GRÁTIS
https://cadernosdoceas.ucsal.br/
Cadernos do CEAS, Salvador/Recife, n. 241, p. 258-267, mai./ago., 2017 | ISSN 2447-861X
EDITORIAL. CEAS 50 ANOS: EM TEMPOS SOMBRIOS, TECEMOS
ESPERANÇA
Editorial. CEAS's 50 years: In dismal times, we weave hope
“Do velho ao jovem”
1
Na face do velho
as rugas são letras,
palavras escritas na carne,
abecedário do viver.
Na face do jovem
o frescor da pele
e o brilho dos olhos
são dúvidas.
Nas mãos entrelaçadas
de ambos,
o velho tempo
funde-se ao novo,
e as falas silenciadas
explodem.
[…]
Saudoso e saudável. Assim, há 25 anos, o editorial comemorativo ao primeiro quarto
de século do CEAS se referia à entidade criada em 1967 pelos jesuítas e que se tornaria uma
referência da luta pela redemocratização do Brasil para religiosos e não religiosos. Mas um
quarto de século depois, out ro não é o estado do Centro, senão bastante saudável, em que
pese as contínuas ameaças à democracia, aos direitos sociais e aos sujeitos históricos
populares, que fazem com que este Centro procure reinventar-se a cada contexto, a cada
virada histórica. Talvez por isso, os integrantes atuais e passados das suas equipes continuam
a afirmar: podemos sair do CEAS, mas ele nunca sai de nós. Seguramente que sim, sobretudo
se não perdemos a capacidade de nos indignarmos contra as injustiças e opressões de toda
sorte.
Desse modo, chegamos, o CEAS a 50 anos e os Cadernos do CEAS a 48 anos. Idade da
inovação, idade de se perseguir os caminhos da tran sformação, da revolução, cada vez mais
necessárias para impedir a destruição da educação pública, da universidade e da pesquisa
científica brasileiras, dos direitos sociais do campo e da cidade, em curso acelerado pelas
forças retrógradas deste país.
1
EVARISTO, Conceição. Em Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

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