CASO 33. Orlando M. S. Frutos da Árvore Envenenada

Autor:Antonio Carlos da Carvalho Pinto
Ocupação do Autor:Professor de Direito Processual Penal. 'Ex' Coordenador de Direitos e Prerrogativas da OAB/SP.
Páginas:305-310
 
TRECHO GRÁTIS

Page 305

Passados dois ou três anos da indicação para o "caso festa de família", antes narrado, fui novamente chamado para uma "reunião" e, depois, indicado pelo advogado, criminalista e pastor Dr. Narciso Fuser, para atuar numa "grande causa" de um traficante, preso na Penitenciária do Estado, "cheio de processos" e com "muita grana".

Não demorei para me reunir com o colega.

Narciso relatou-me o seguinte:

Havia sido contratado por um traficante da "Zona Leste" da Capital, chamado Orlando que, por haver denunciado Policiais Militares, por crime de extorsão, havia sido indiciado em seis inquéritos de homicídios, todos da "Zona Leste" e de "autoria desconhecida", atribuídos, por vingança, ao seu cliente.

Contou mais.

Que, um ano antes, uma "patrulha" havia abordado Orlando, procedendo "revista pessoal" e "busca" no veículo, "de marca e do ano" e nada encontrou.

Page 306

Não obstante, como o Serviço Reservado da PM já houvesse informado acerca do tráfico, em meio à diligência residencial, um dos policiais "apareceu" e exibiu ao "chefe" um aspirante a Oficial, uma razoável quantidade de cocaína.

A partir daí, se seguiu a proposta de "deixar tudo barato", em troca da assinatura, em branco, do recibo de venda do veículo, novo e caro, do averiguado.

Orlando não concordou, foi levado para o Distrito Policial e acabou sendo "autuado em flagrante delito", por tráfico de entorpecentes.

Ao ser interrogado no "auto de prisão", o traficante negou a posse, propriedade ou guarda do entorpecente, além do que denunciou a "proposta" dos militares, versão que, incurialmente, foi integralmente registrada pela autoridade policial.

Com o inusitado registro da "tentativa de extorsão", até então anotada, mas inerme e indene de credibilidade, o policial-condutor, particular e pessoalmente "cochichou" uma advertência ao Orlando:

- Vamos arrumar uns homicídios para você aprender deixar de ser "boca dura" e não falar bobagem.

Esse inquérito virou processo, foi distribuído para uma das Varas Criminais da Capital e Orlando, muito bem defen-dido pelo criminalista Narciso, foi absolvido.

O juiz mandou remeter cópias de peças ao Ministério Público, em face da extorsão noticiada naquele processo de

Page 307

tráfico, para apuração do noticiado crime funcional de concussão, descrito no artigo 316 do Código Penal.

Enquanto se desenvolvia esse processo, Orlando foi indiciado em outros sete inquéritos, instaurados no mesmo Distrito Policial da Zona Leste, todos versando...

Para continuar a ler

PEÇA SUA AVALIAÇÃO