Agentes físicos

Autor:Tuffi Messias Saliba
Ocupação do Autor:Engenheiro Mecânico. Engenheiro de Segurança do Trabalho. Advogado. Mestre em Meio Ambiente. Ex-professor dos cursos de Pós-Graduação de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Diretor Técnico da ASTEC ? Assessoria e Consultoria em Segurança e Higiene do Trabalho Ltda
Páginas:18-139
 
ÍNDICE
TRECHO GRÁTIS

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A NR-9 deine como agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como infrassom e ultrassom.

Neste capítulo, serão abordados os procedimentos de avaliação qualitativa e quantitativa desses fatores de risco, bem como as medidas de controle aplicadas.

1 — RUÍDO

1.1 — Conceitos e parâmetros básicos

  1. Som

O som é qualquer vibração ou conjunto de vibrações ou ondas mecânicas que podem ser ouvidas. Na Higiene Ocupacional, costuma-se denominar barulho todo som indesejável; o barulho e o ruído são interpretações subjetivas e desagradáveis de um som.

Para a vibração ser ouvida, é necessário que a frequência do som se situe entre 16 e 20.000 Hz e a variação de pressão sonora provocada pela vibração atinja o limiar de audibilidade (2 X 10-5N/m2). Alguns autores mencionam a faixa audível entre 20 e 20.000 Hertz3. Do ponto de vista de Higiene do Trabalho:

“O ruído é o fenômeno físico vibratório com características indeinidas de variações de pressão (no caso ar) em função da frequência, isto é, para uma dada frequência podem existir, em forma aleatória através do tempo, variações de diferentes pressões”.

Essa é uma situação real e frequente, daí utiliza-se a expressão ruído, “mas que não necessariamente signiica sensação subjetiva do barulho”.

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Do ponto de vista físico, não há diferença entre som, ruído e barulho; no entanto, quanto à resposta subjetiva, ruído ou barulho pode ser deinido como um som desagradável ou indesejável. Assim, por exemplo, numa boate, a música pode ser considerada som para uns e ruído para outros.

b) Nível de pressão sonora — decibel

O nível de pressão sonora determina a intensidade do som e representa a relação do logaritmo entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão que atinge o limiar de audibilidade. A partir de pesquisas realizadas com pessoas jovens, sem problemas auditivos, foi revelado que o limiar de audibilidade é de 2 x 10-5N/m2 ou 0,00002 N/m2. Desse modo, convencionou-se esse valor como sendo 0 (zero) dB, ou seja, o nível de pressão de referência utilizado pelos fabricantes dos medidores de nível de pressão sonora. Quando a pressão sonora atinge o valor de 200 N/m2, a pessoa exposta começa a sentir dor no ouvido (limiar da dor) e esse valor corresponde a 140 dB. Portanto, o ouvido humano responde a uma larga faixa de variação da pressão (2 x 105N/m2). Sendo assim, torna-se difícil expressar essa grande variação em uma escala aritmética e, desse modo, a escala logarítmica é usada.

A determinação do nível de pressão sonora é feita por meio de uma relação logarítmica, conforme a equação 1:

[NO INCLUYE FORMULA]

sendo:

P = raiz média quadrática (r.m.s.) das variações dos valores instantâneos da pressão sonora:

Po = pressão de referência que corresponde ao limiar de audibilidade (2 x 10-5N/m2)

Substituindo o valor de 2 x 10-5N/m2(constante) na equação, ela poderá também ser expressa da seguinte maneira:

[NO INCLUYE FORMULA]

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c) Frequência do som

A frequência do som corresponde ao número de vibrações na unidade de tempo. Assim, uma vibração completa ou ciclo com tempo de duração, por exemplo, de 0,01 segundo terá a frequência igual a:

ƒ =1,0 ciclo ou vibração completa= 100 ciclos/segou Hertz (Hz) ciclos/seg ou Hertz (Hz) (2)

0,01 segundo

Como vimos anteriormente, a frequência audível do ser humano está compreendida entre 20 e 20.000 Hz.

d) Nível de intensidade sonora e nível de potência sonora

Além do nível de pressão sonora, outros parâmetros, como o nível de intensidade e potência sonora, são utilizados em acústica para especiicar o ruído de equipamentos, os cálculos de isolamento e a estimativa de ruído que uma fonte produz a uma determinada distância.

O nível de intensidade sonora, também expresso em dB, corresponde à intensidade sonora em um ponto especíico e à quantidade média de energia sonora transmitida através de uma unidade de área perpendicular à direção de propagação do som. O nível de intensidade sonora expresso em dB é igual a:

[NO INCLUYE FORMULA]

sendo:

W = potência sonora da fonte em watts e representa a quantidade de energia acústica produzida por uma fonte sonora por unidade de tempo.

Wo = potência sonora de referência igual a 10-12 watts.

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e) Nível de decibel compensado ou ponderado

Os estudos de fatores que determinaram a audibilidade subjetiva mostram que a resposta do ouvido humano é diferente nas diversas frequências. Assim, a sensação de ouvir um som em 3.000 Hz é diferente de ouvi-lo a 500 Hz. Desse modo, com base em estudos de nível de audibilidade, foram desenvolvidas as curvas de decibéis compensados ou ponderados nas frequências: A, B, C e D, de forma a simular a resposta do ouvido. Essas curvas de compensação foram padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos elétricos dos medidores de nível de pressão sonora. A Figura 1 mostra as curvas de compensação.

[NO INCLUYE GRAFICO]

Figura 1 — Gráico de curvas de compensação

Pelo gráico, observa-se que um som de 100 dB emitido numa frequência de 50 Hz, quando compensado pelas curvas, fornecerá as seguintes leituras no medidor de nível de pressão sonora:

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Curva “A” — 70 dB

Curva “B” — 82 dB

Curva “C” — 99 dB

Curva “D” — 85 dB

As normas internacionais e o Ministério do Trabalho adotaram a curva de compensação “A” para medições de níveis de ruído contínuo e intermitente, devido à sua maior aproximação à resposta do ouvido humano.

O circuito “A” aproxima-se das curvas de igual audibilidade para baixos níveis de pressão sonora; o circuito “B” para médios níveis de pressão sonora, e o circuito “C” para níveis de pressão sonora mais altos. Hoje, entretanto, somente o circuito “A” é largamente usado, uma vez que os circuitos “B” e “C” não tiveram boa correlação em testes subjetivos. Uma curva especializada, a compensação “D”, foi padronizada para medições em aeroporto4

A Tabela 1 mostra os valores numéricos das correções das curvas de compensação A, B, C e D nas frequências de banda de oitava:

[NO INCLUYE TABLA]

f) Dose equivalente de ruído ou efeitos combinados

Quando a exposição ao ruído é composta de dois ou mais períodos de exposição de diferentes níveis, devem ser considerados seus efeitos

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combinados, em vez dos efeitos individuais (NR-15, anexo 1, item 6). Esse efeito combinado ou dose equivalente é calculado com base na soma das seguintes frações:

[NO INCLUYE FORMULA]

sendo:

Cn = tempo total de exposição a um nível especíico.

Tn = a duração total permitida a esse nível, conforme limites estabelecidos no anexo 1, NR-15.

O resultado obtido não pode exceder a 1 (um).

Os efeitos combinados podem ser obtidos com maior precisão utilizando-se o audiodosímetro. Esse instrumento indica a dose em percentual. Assim, o limite será excedido quando ela for superior a 100%.

A dose ou o efeito combinado pode ser obtido também com o medidor de NPS. Entretanto, nesse caso, o procedimento é bem trabalhoso, pois é necessário estimar ou cronometrar com exatidão os tempos de exposição a cada nível.

g) Fator de duplicação da dose

É o incremento em decibéis que, quando adicionado a um determinado nível, implica a duplicação da dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de exposição (NHO-01 FUNDACENTRO). Exemplo: Na NR-15, anexo 1, o incremento de duplicação é igual a 5. Já a ACGIH e o NIOSH adotam o incremento de 3. A maioria das normas tem adotado o fator de duplicação 3, inclusive a NHO-01.

h) Nível equivalente de ruído

Com base na dose, obtém-se o nível equivalente de ruído. Esse nível apresenta a exposição ocupacional do ruído durante o tempo de medição e representa a integração dos diversos níveis instantâneos de ruído ocorridos nesse período. A NR-15 considera o fator de duplicação igual a 5 (q = 5), isto é, a cada incremento de 5 dB no nível equivalente dobra-se a equivalência de energia e, consequentemente, o risco de dano auditivo. Assim, a equação 6 representa o critério adotado pela NR-15:

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[NO INCLUYE FORMULA]

sendo:

D = dose equivalente em fração decimal, ou...

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