Política & Sociedade. Revista de Sociologia Política

Editora:
Universidade Federal de Santa Catarina
Data de publicação:
2011-03-10
ISBN:
2175-7984

Descrição:

Destinada à divulgação de artigos, resenhas, traduções e ensaios bibliográficos inéditos sobre temas e problemas de Sociologia Política e de disciplinas afins, a revista orienta-se pelos critérios de qualidade acadêmica e da relevância social do conteúdo de suas publicações.

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  • Escritos médico-psicopedagógicos sobre a criança: os projetos de caderneta individual no século XX

    Este artigo discorre sobre os projetos de cadernetas médico-pedagógicas individuais para as crianças e sobre a sua evolução. Ao longo do século XX, podem-se identificar múltiplas tentativas de instituir-se uma caderneta que, seguindo o modelo da caderneta de saúde, também levaria em conta os dados psicológicos e pedagógicos. Elas se situam inicialmente numa perspectiva de higiene escolar, mas se espraiam também para o campo da profilaxia, com o objetivo de identificar as crianças “anormais”, e, um pouco mais tarde, para o campo da orientação profissional. A Segunda Guerra Mundial produz também uma abordagem diferente, em termos de racionalização dos escritos médicos e psicológicos sobre a criança, buscando considerar os eventos sociais e o que eles possam ter gerado na criança, sem, no entanto, distanciar-se das antigas categorias ligadas ao biológico. Muito provavelmente as novidades encontram-se antes no fato de que se pretende confiar às crianças a caderneta médico-pedagógica, mas esses parênteses serão logo cerrados e finalmente se apagam ante as críticas do que se considera como uma forma de controle social. Palavras-chave: História. Médico-pedagógico. Ppsicologia. Psiquiatria da criança. Caderneta de saúde.

  • Dos diagnósticos aos manuais: mercado farmacêutico e transtornos mentais da infância em questão

    O intuito do artigo é situar o momento de mudança – tanto nos artigos como nos procedimentos de pesquisa – que marca o DSM-III enquanto forma de abordagem dos transtornos psiquiátricos situando a indústria farmacêutica na conformação de novos discursos. Este é o momento da reemergência do Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e marca o confronto com a abordagem psicodinâmica freudiana que será secundada pela alternativa de testes e procedimentosestatísticos. Qual o contexto destas transformações? Mobilizamos autores da sociologia econômica para pensar o mercado de medicamentosenquanto campo de lutas – luta em torno dos critérios de classificação da realidade –bem como a dinâmica de interatuação com o campo da saúde. O artigo parte de pesquisa bibliográfica e análise documental. O argumento é o de que a nosologia do TDAH, como qualquer outro arbitrário cultural, não é neutra e expressa relações de poder. Se diversas pesquisas apontam o poder médico como poder biopolítico, é possível constatar como novos arranjos entre indústria farmacêutica e psiquiatria ampliam o espaço de atuação da primeira alcançando adolescência e infância somando a atuação da indústria farmacêutica como reforço biopolítico. Palavras-chave: Mercado. Diagnóstico. Transtornos mentais da infância. TDAH. Indústria farmacêutica.

  • A influência do 'modelo centrado na doença' no uso de medicamentos para problemas de aprendizagem na escola

    Nosso objetivo é refletir como o “modelo centrado na doença” para o efeito dos fármacos em psiquiatria, elaborado por Joanna Moncrieff, pode influenciar o uso de medicamentos. Destacamos o caso do metilfenidato (Ritalina®), utilizado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), identificado a partir de problemas de comportamento ou aprendizagem na escola. Esse diagnóstico costuma ser explicado como resultado de um desequilíbrio cerebral, e o metilfenidato seria um tratamento específico para corrigir esse desequilíbrio, caracterizando o “modelo centrado na doença” para a ação de fármacos no organismo. Argumentamos que esse modelo amplia o processo de medicalização da infância e da aprendizagem escolar, tornando banal a utilização de medicamentos para “corrigir” comportamentos e melhorar o desempenho acadêmico. Palavras-chave: Medicalização da infância. Metilfenidato. Escola. Modelo centrado na doença.

  • Laisser aller e respeito agonístico: considerações sobre as apropriações agonísticas da filosofia de Nietzsche

    Neste artigo, analisamos o uso que os teóricos agonísticos da democracia tem feito da filosofia de Nietzsche com foco em uma de suas principais proposições normativas: a ideia de “respeito agonístico”. Na primeira seção, apresentamos características gerais da apropriação da filosofia de Nietzsche pelos teóricos agonísticos da democracia. Na segunda seção, apresentamos o que William Connolly e Lawrence Hatab entendem por “respeito agonístico” e “respeito democrático”. Na terceira seção, criticamos estas apropriações da filosofia de Nietzsche a partir de textos do próprio Nietzsche, apontando alguns limites da noção de respeito agonístico e sustentando que estes teóricos utilizam Nietzsche para promover uma ética do laisser aller que foi duramente criticada por ele. Palavras-chave: Nietzsche. Agonismo. Democracia. Respeito Agonístico.

  • Por uma escola inclusiva ou da necessária subversão do discurso (psico) pedagógico hegemónico

    Com vistas a indagar o funcionamento e o estado da implantação da “escola inclusiva”, o texto apresenta e desenvolve a noção da ilusão (psico)pedagógica. Esta é considerada peça-chave do ideário pedagógico naturalizante. Assim, afirma-se que o naturalismo pedagógico de antanho que estabelecia uma diferença essencial entre “normais” e “anormais” – suficiente para que estes ficassem impedidos de ir às escolas comuns –, hoje em dia, dá paradoxalmente lugar à ideia de “necessidades educativas especiais”, proposta pela Declaração de Salamanca (1994). Essa noção dá margem, por sua vez, à prática de “laudar” crianças. Tal gesto, particularmente generalizado no Brasil, acaba empobrecendo a experiência escolar das crianças, condenando-as à condição de “excluídas do interior”. Propõe-se, então, no contexto dos estudos psicanalíticos em educação, a subversão epistemológica do ideário naturalizante, responsável pelos entraves impostos ao acontecimento de uma educação que se preze. Palavras-chave: Educação inclusiva. Psicanálise e educação. Pensamento naturalista. Essencialismo pedagógico. Psicopedagogia

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    Discutiu-se, neste artigo, a emergência e a disseminação dos saberes especializados em psiquiatria do desenvolvimento para a infância e adolescência no Brasil. Realizou-se, para tanto, uma investigação bibliográfica e documental – em que se destaca a análise dos relatórios FAPESP anos I e II (INPD, 2018, 2019) que descrevem suas pesquisas e atividades –, e por meio da qual foi possível observar que esses novos arranjos em psiquiatria surgem a partir de sua aproximação às neurociências nas últimas décadas e configuram um modelo teórico cujos fundamentos se assentam em explicações sobre o desenvolvimento cerebral. Estabelecendo uma agenda de pesquisas com crianças e adolescentes recrutados diretamente de algumas escolas selecionadas, os especialistas em psiquiatria do desenvolvimento objetivam identificar cada vez mais precocemente indivíduos em risco de desenvolver os transtornos mentais e, assim, criar tecnologias diagnósticas e terapêuticas que atuem no âmbito da prevenção. A análise das iniciativas realizadas por esse grupo de psiquiatras – pesquisadores na Universidade de São Paulo (UNIFESP), Universidade Federal de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – ao longo da última década permite afirmar que a legitimação e difusão desse novo paradigma em psiquiatria na sociedade concorre fortemente para a ampliação da medicalização da infância e do espaço escolar no país. Palavras-chave: Psiquiatria do desenvolvimento. Prevenção. Controle de risco. Medicalização da infância.

  • Medicalización del TDAH en Argentina. Reflexiones sobre tendencias globales y especificidades locales a través del estudio del metilfenidato y la atomoxetina

    El objetivo general es contribuir a una mirada panorámica del fenómeno de la medicalización del TDAH en Argentina, y a las discusiones acerca de la diseminación de saberes sobre la infancia El análisis se enmarca en estudios sobre la transformación y expansión de la medicalización en el siglo XXI, y se abordan los procesos de diagnóstico y tratamiento del TDAH. El artículo presenta datos de 1) producción y consumo mundial de metilfenidato, y datos de Argentina de 2) importación de metilfenidato como monodroga (2003-2016); 3) envases dispensados de atomoxetina y metilfenidato (2005-2010 y 2012-2016). Estos datos se triangulan con fuentes cualitativas: 84 entrevistas semiestructuradas, individuales y grupales, entre 2007 y 2017, a profesionales de la salud con actividad clínica, docente y de investigación de Ciudad de Buenos Aires, Tierra del Fuego, Corrientes y Salta. Se describen y analizan tendencias argentinas c onsonantes y disonantes con estos procesos a nivel mundial. Palabras clave: Medicalización. Déficit de atención e hiperactividad. Metilfenidato. Atomoxetina. Argentina.

  • Neopatrimonialismo, diferenciação funcional e a relação centro-periferia revisitada

    Este artigo tem o objetivo de negar a validade teórica do conceito de neopatrimonialismo, formulado por Simon Schwartzman, para compreender os dilemas de exclusão política do Brasil contemporâneo, pois o conceito é baseado em uma leitura apologética do diagnóstico de Max Weber sobre o Ocidente. A partir da análise bibliográfica, defendemos que o conceito de neopatrimonialismo está preso a uma visão empírica e teoricamente insustentável da modernidade política, que idealiza a dimensão democrática e constitucional do poder político moderno e ignora sua dimensão autocrática e não constitucional. Em seguida, apresentamos como alternativa teórica a sociologia política de Niklas Luhmann, pois descreve a política moderna como dividida nos circuitos de poder formal e constitucional, e informal e não constitucional. Dessa forma, podemos analisar os processos de exclusão política no centro e na periferia sem a presença de idealizações sobre os países centrais. Palavras-chave: Neopatrimonialismo. Diferenciação da sociedade. Modernidade Política. Exclusão

  • O confinamento do outro lado do oceano: a experiência de crianças e adolescentes durante a epidemia da Covid-19 na França

    O presente artigo apresenta dados que retratam como foi o confinamento na França durante a epidemia da Covid-19, precisamente, para o público infanto-juvenil. O objetivo deste estudo foi aportar alguns elementos que possibilitem avançar na compreensão de como as crianças e os adolescentes vivenciaram a experiência do confinamento na França. A metodologia elegida para o desenvolvimento da pesquisa foi a etnografia virtual. Por meio dos materiais publicados nos jornais franceses e no site da Radio France Culture, foi possível ter contato com as experiências vivenciadas pelas famílias no confinamento. Estas publicações forneceram subsídios para compreender que manter as crianças e os adolescentes confinados somente no espaço familiar, ou seja, privados do lugar não familiar (escolas, parques, ruas), implica o processo subjetivo enquanto constituição de sujeito cujo progresso torna-se inviável de ocorrer sem transitar entre esses dois lugares. Palavras-chave: Crianças. Adolescentes. Covid-19. Confinamento. Epidemia.

  • La medicalización de la infancia como estrategia de gobierno

    El presente artículo informa de la investigación que tuvo como objetivo conocer las estrategias psicocientíficas asociadas a la producción de subjetividad en el neoliberalismo. El método usado fue el histórico-crítico fundado en los estudios foucaultianos. Resultados: (1) la medicalización de la vida ha sido una estrategia de gobierno; (2) la medicalización de la infancia – también una estrategia de gobierno – ha pasado por tres momentos, cada uno de los cuales produce una forma específica de subjetividad; (3) se hallan tres razones para medicalizar la infancia y (4) las psicociencias y las biociencias son los discursos que han dirigido esta medicalización. Se concluye que el neoliberalismo ha usado esta estrategia de medicalización elaborada por las ciencias psi para ampliar la mercantilización de la vida y configurar la subjetividad autogestionada del emprendedor. Palabras clave: Medicalización. Infancia. Subjetividad. Neoliberalismo

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