Orçamento econômico-financeiro: uma contribuição relevante para a tomada de decisões nas empresas

Autor:José Augusto Ianesko
Páginas:119-140
Cargo:Mestre em Contabilidade e Controladoria pela UNOPAR; professor do Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Centro Oeste-UNICENTRO; Diretor Administrativo do Instituto de Contadores do Centro Oeste do Paraná - ICCOP; Diretor-Presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UNICENTRO, asses
RESUMO

Este trabalho mostra a importância de um sistema orçamentário na administração de empresas, no sentido de tomada de decisões. A época atual de grandes transformações na área econômico financeira provoca a necessidade de novas estruturas organizacionais impulsionada por uma extraordinária revolução científica e tecnológica. Portanto, para que uma empresa tenha algum sucesso, deve utilizar-se de mecanismos gerenciais que a auxiliem no processo operacional. Inicialmente, justificou-se a pesquisa com a contextualização do tema e com a fundamentação teórica do assunto; fez-se a descrição da composição de um sistema orçament&aacut... (ver resumo completo)

 
TRECHO GRÁTIS
    Artigo produzido a partir da dissertação de mestrado defendida junto ao programa de pós-gradução stricto sensu em Contabilidade e Controladoria, da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR).

Orçamento Econômico-Financeiro

Considerações iniciais

A globalização gera uma dependência econômica entre os países, principalmente entre aqueles que estão rompendo as barreiras do subdesenvolvimento e os desenvolvidos, motivada pelo crescente volume dos negócios, com os mais variados tipos de transações, tanto de bens quanto de serviços, gerando um fluxo internacional de capitais cada vez maior e a custos sempre mais competitivos. Ela está vinculada ao avanço crescente da tecnologia e ao aprimoramento dos recursos humanos e materiais, fazendo com que as empresas se ajustem, a cada momento, a novas situações.

A constante adaptação às novas situações exige que a empresa tenha as suas atividades planejadas, definidos os objetivos e as metas para sua execução, pois precisa produzir bens a preços mais baixos, a fim de conquistar mercados e novos consumidores. Os objetivos são as políticas e os ideais da

empresa. As metas são derivadas desses objetivos e estabelecem linhas específicas para a empresa e incluem também objetivos menores.

Um fator importante decorrente da globalização é o fato de que se uma empresa conseguir reduzir os preços de seus produtos em relação aos preços de seus concorrentes, ela tem perspectivas de ganhar mercado, e este é um efeito multiplicador muito importante para a sua sobrevivência e para o seu desenvolvimento. Outro fator de muita relevância no processo de globalização é o ganho com produtividade, pelo aumento da escala de produção, gerando também a possibilidade de colocação, no mercado, de produtos a preços mais competitivos. O progresso econômico dá-se pela adaptação das empresas para esses novos tempos, ajustando-se a essas mudanças de forma rápida e eficaz.

Um sistema orçamentário caracteriza-se por ser um instrumento de ação, que auxilia a orientar o processo de tomada de decisão da empresa. Essa técnica de estimativa utiliza informações e dados das experiências pretéritas da empresa e mais as variáveis externas, que devem ser consideradas na determinação dos objetivos e das metas da empresa, envolvendo o conhecimento de técnicas econômicas, contábeis, estatísticas e matemáticas.

Toda empresa necessita, para o seu funcionamento, de um mínimo de planejamento e de controle. O planejamento varia apenas no grau de detalhamento, em função das suas necessidades, do seu tipo e porte. Na prática, a necessidade de um planejamento surge quando as empresas atingem um certo grau de maturidade e começam a atribuir grande importância às suas relações com o consumidor, com os acionistas e com os concorrentes. É o momento da implantação de um sistema orçamentário.

Origens do orçamento

O orçamento teve origem na administração pública, no início, como instrumento para empenho de verbas, atualmente, também, como um meio de aferição e fixação das prioridades no planejamento global dos governos.

A utilização do orçamento, como instrumento de planejamento e controle na empresa, teve início com a crescente agressividade mercadológica da concorrência ao estabelecer, a curto e médio prazos, uma rotina para as suas atividades, para que se pudesse orçar os resultados a serem alcançados.

A técnica orçamentária foi utilizada, na empresa, pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1919. No Brasil, essa técnica teve início em 1950, entretanto as empresas brasileiras só começaram a ter esta conscientização, em termos de planejamento e controle das suas atividades, a partir dos anos setenta.

Conceitos, objetivos e características

Entre as funções básicas da administração de empresas, duas relacionam-se mais diretamente ao processo de elaboração do sistema orçamentário: o planejamento e o controle de resultados. Porém, segundo Welsch (1996, p. 46), deve ficar claro que o planejamento e o controle de resultados não pode ser um substituto de uma boa administração; também não é capaz de corrigir os erros de uma administração incompetente. O que importa é a qualidade dos administradores. Ainda, segundo esse autor, o planejamento a curto prazo seria o compreendido de seis meses até um ano, com a finalidade de se obter o melhor emprego dos recursos existentes: físicos e monetários (orçamento periódico).

Atualmente, algumas empresas adaptam seu planejamento às mudanças das condições, fazendo um orçamento provisório, que é preparado a cada trimestre, embora com duração de um ano. No fim de cada trimestre, o plano para os próximos três trimestres é revisado, se necessário, e um quarto trimestre é adicionado (orçamento contínuo). O planejamento a longo prazo seria para períodos superiores a um ano, também chamado plurianual, com a finalidade de se planejarem os recursos necessários, as possíveis fontes de utilização por parte da empresa e a melhor alocação em termos de taxa de retorno do investimento a ser realizada (orçamento de capital) (ATKINSON et al., 2000, p. 493).

A função administrativa de controle consiste em verificar e analisar o realizado com o planejado, isto é, acompanhar e verificar se os resultados propostos estão sendo alcançados ou não. Um conceito de orçamento foi adaptado por Zdanowicz (1984, p. 20) : [...] em síntese, podemos conceituar o orçamento como: o instrumento que descreve um plano geral de operações e/ou investimentos por um determinado período, orientado pelos objetivos e metas propostas pela alta administração.

Dessa forma, entende-se que um sistema orçamentário é um instrumento da gestão empresarial indispensável em todas as empresas, independente do seu porte e tipo de atividade desenvolvida, pois tem como objetivo principal coordenar as várias atividades de uma organização para que os seus objetivos sejam alcançados. Sendo o sistema orçamentário um instrumento de tomada de decisão, o objetivo principal é apresentar o plano geral de operações, ditar as normas e procedimentos que regulamentam a organização na elaboração e na execução do sistema orçamentário, por meio de um conjunto de tarefas a serem executadas dentro de um determinado período pelas diversas funções e departamentos da empresa.

Nesse sentido, o controle orçamentário envolve confrontações e avaliações constantes dos resultados reais com estimativas feitas, indicando ações saneadoras e corretivas onde forem necessárias. Para Welsch (1996, p. 35) ,"existe uma relação fundamental entre o planejamento e o controle, pois sem um planejamento efetivo não poderá haver um controle real e, reciprocamente, sem controle efetivo, o planejamento será inexistente".

Podem ser várias as características que o orçamento pode apresentar, como:

1) Projeção para o futuro -devido às mutações constantes do empreendimento, determinando novas condições de trabalho, em virtude da transposição de uma situação atual projetada para o futuro, é necessário que o processo orçamentário seja visto como um guia para as projeções futuras.

2) Flexibilidade -como as economias interna e externa apresentam mudanças freqüentes, a empresa deve ter a flexibilidade de se adaptar às novas condições, caracterizando a flexibilidade no emprego do sistema orçamentário para a execução do plano de lucros, em vez de um plano rígido, que deve ser seguido, a despeito das mudanças circunstanciais, que forçaria o administrador a tomar decisões que diferem dos objetivos da empresa.

3) Participação direta dos responsáveis -em um programa de planejamento e controle de resultados, os princípios de responsabilidade e autoridade devem ser observados rigorosamente. Os responsáveis pelas áreas de atividades da empresa participam em equipe, com suas opiniões, colaborando com a administração no estabelecimento dos objetivos e das metas.

Nesse sentido, forma-se uma grande cadeia de accountability, que é a obrigação de se prestar contas dos resultados obtidos, em função das responsabilidades que decorrem de uma delegação de poder.

Condições necessárias para a implantação...

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